Pra quem gosta de Comida… assista filmes…
Enviado em 5 de Julho de 2009
Publicado por Edge
É na culinária francesa e na ítalo-brasileira que dois filmes, um francês e o outro brasileiro, narram suas histórias. O primeiro com toda a manifestação da bondade e o outro nem tanto.
Enquanto A festa de Babette (Dinamarca) é cheio de símbolos cristãos demonstrando o poder de D´us no ceder e abençoar os outros, Estômago (Brasil) é a verdadeira manifestação do brasileirismo da “carne” onde a comida é o meio de se adquirir o poder sobre a comunidade, totalmente humanista.
Desta forma, Babette é um filme delicioso sobre amor, fé, sacrifício e, naturalmente, o prazer do alimento.
Enredo de “Babettes gaestebud”, ou melhor, “A Festa de Babette”:
A fim de escapar da sórdida repressão da Paris de 1871, Babette desembarca, em meio a uma tempestade, na costa selvagem da Dinamarca.
Na pequena aldeia de Jutland, ela procura as irmãs Martina e Philippa, senhoras muito puritanas, filhas do pastor da região, e lhes apresenta uma carta de recomendação de Achille Papin, um cantor de ópera que, no passado, fora professor de canto de Philippa. Em sua carta, Papin lhes pede que acolham Babette em sua casa. Por sua vez, esta lhes pede para trabalhar como criada, tendo em troca apenas um quarto para morar. Depois de muito pensarem, principalmente pelo fato de Babette ser católica, elas terminam a aceitando. Em pouco tempo, Babette se integra à austera tradição protestante da comunidade.
Quatorze anos depois, ela ganha 10.000 francos na loteria, o que vai lhe permitir voltar à sua pátria. Entretanto, o inesperado acontece. Babette resolve gastar todo seu dinheiro em um jantar tipicamente francês, a fim de comemorar dignamente o centenário de nascimento do falecido pastor, mesmo que para isso tenha que passar o resto de seus dias vivendo como criada das irmãs protestantes.
Os doze convidados para o jantar, tendo sempre vivido em Jutland e sendo pessoas simples, não conheciam nada sobre a culinária francesa e, menos ainda, sobre os pratos sofisticados que eram servidos no Café Anglais, lugar onde Babette trabalhara como cozinheira.
Assim, com a habilidade de fazer as pessoas sentirem prazer através do paladar, Babette faz com que o jantar se transforme num verdadeiro banquete que as duas irmãs e os habitantes da pequena aldeia jamais esquecerão.
Acho que a intenção, bem realizada é: O banquete em memória do pastor é uma alusão clara à “Última Ceia” e, por extensão, à liturgia cristã. Para o mesmo, sentam-se à mesa doze pessoas, representando os doze apóstolos. Babette é claramente uma imagem de Cristo: pobre, ela chega misteriosamente a uma pequena comunidade, trabalha como criada e, no final, presenteia a todos com um lauto banquete. Por outro lado, o prato principal servido por Babette chama-se “Codorna no Sarcófago”: Codorna significando “maná” (alimento espiritual de origem divina que consola a alma); e Sarcófago, palavra vinda do latim, ’sarcophagus’, que significa “aquele que come carne”. Assim, o prato principal é uma evidente alusão às palavras de Cristo: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão, viverá para sempre. E o pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha vida” (João 6, 51).
Já Estômago
Tem como sinopse:
Na vida há os que devoram e os que são devorados. Raimundo nonato, nosso protagonista, descobre um caminho à parte: ele cozinha. E é nas cozinhas de um boteco, de um restaurante italiano e de uma prisão – o que ele fez para acabar ali? – que Nonato vive sua intrigante história. E também aprende as regras da sociedade dos que devoram ou são devorados. Regras que ele usa a seu favor, porque mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte – e eles sabem mais do que ninguém, qual é a parte melhor. Uma fábula nada infantil sobre poder, sexo e a gastronomia.
E sua intenção é lançar um olhar nada complacente sobre a realidade brasileira contemporânea. Sob a aparência de uma comédia satírica, o filme nos oferece uma aguda reflexão social, que atravessa os diferentes extratos sociais. No país do “fome zero” e da “cultura antropofágica” exposta por Glauber Rocha, a parábola traçada pelo diretor aponta para as entranhas de uma contraditória realidade.” poder, sexo e culinária”.
Como disse o crítico Affonso Romano de Sant´anna do Estado de Minas, sobre o Filme estômago:
“Os que tentam sintetizar a estória dessa película dizem que é uma espécie de A Festa de Babete numa prisão brasileira. Não, mais que isso, muito mais que isso. Só vendo. Não dá para contar. Nessa obra está o universo canibal e antropofágico que toma a culinária como metáfora. O primitivismo dos marginais encarcerados e a sofisticação da gastronomia italiana. Também a ambígua recusa do primitivo diante da sofisticação. O filme não faz qualquer discurso verbal-social e, no entanto, é clamoroso.”
Ganhadores de vários Prêmios os Filmes encantam vários espectadores, na terrinha e fora dela. Vale muito à pena conferir.





